Traumas sexuais ficam registrados no útero e também ducto vaginal

A primeira coisa que você precisa saber sobre este assunto é: nosso inconsciente não sabe ao certo diferenciar estupro de abuso sexual ou simplesmente de uma ofensa de cunho sexual dita em voz alta. Isso significa que mesmo que a violência sexual seja apenas verbalizada e não chegue às vias de fato, muitas vezes ela causa os mesmos traumas nas vítimas. Outro tabu que não costuma ser dito, é o de que, fisicamente, quando a mulher é estuprada, o corpo pode ter as mesmas reações químicas de uma relação sexual consentida, como lubrificação vaginal e até mesmo liberação de hormônios que levam à excitação. É por este motivo que muitas vítimas se sentem culpadas. Elas se envergonham por achar que podem ter gostado da violência ou que estas reações biológicas a levaram a viver o estupro, de alguma forma. A verdade é que, nesses casos, este processo nada mais é do que uma defesa do organismo. O corpo libera essas reações químicas para que a violência que está sendo vivida seja menos traumática. Por exemplo: ao lubrificar a vagina, o organismo faz com que a lesão física da penetração seja menor.”O corpo libera essas reações químicas para que a violência que está sendo vivida seja menos traumática. Por exemplo: ao lubrificar a vagina, o organismo faz com que a lesão física da penetração seja menor.” O mesmo ocorre com a excitação, que garante que o canal vaginal se alongue e fique mais dilatado, facilitando a entrada (forçada, neste caso) do pênis. Essas informações são importantes para que a mulher tome consciência de que foi um processo fisiológico comum que lhe ocorreu – e que não necessariamente ela permitiu, estimulou ou provocou o ato. Em outros casos de estupro ou violência sexual física, a vagina de algumas mulheres não relaxa durante o abuso, pois ela não está consentindo para que isso aconteça. Ao contrário, o órgão sexual se fecha – de forma voluntária ou não – causando lesões musculares que podem levar a sérias disfunções sexuais. Além disso, alguns organismos acabam entendendo que devem sempre responder com uma contração toda e qualquer penetração no ato sexual (ainda que seja consentida). Isso dá origem a problemas como o vaginismo (quando a vagina se contrai involuntariamente, impossibilitando a penetração) ou dispareunia (dor durante a relação). QUALQUER TIPO DE ABUSO SEXUAL PODE GERAR PROBLEMAS NA CAMA Alguém que sofre um abuso sexual – seja ele físico, verbal ou psicológico – vive sentimentos de insegurança, culpa, depressão e problemas sexuais, como dificuldade de chegar ao orgasmo, bloqueios ou culpa ao sentir prazer, diminuição da libido, dificuldade de se entregar em relacionamentos íntimos, baixa autoestima, vergonha, tristezas, desmotivação, fobias, síndrome do pânico e, em casos mais graves, até mesmo tendência ao suicídio. Algumas mulheres chegam a se privar de qualquer sentimento que lhes tragam deleite, punem a si mesmas, não se permitindo nenhum tipo de prazer. Por esse motivo, o corpo reage e torna os órgãos genitais insensíveis ou mesmo doloridos. Além disso, essas vítimas costumam se sentir impuras, indignas de ter um relacionamento amoroso natural e positivo. Com isso, podem se travar para o amor ou qualquer relação sexual prazerosa. A tendência é que a vítima imagine que ninguém mais vai aceitá-la e que será rejeitada. VIVÊNCIAS AJUDAM A RESGATAR ABUSOS DO PASSADO E CURÁ-LOS Tendo em vista que não somente o abuso sexual físico leva a consequências em nossa psique, indico que todas as mulheres pelo menos uma vez na vida passem por vivências, tratamentos psicológicos ou ate mesmo uma técnica milenar chamada “reconsagração do ventre”. Essas práticas trazem para o consciente quais bloqueios e registros estão profundamente escondidos em nosso inconsciente. São eles que trazem complicações no amor, no sexo ou na autoestima. Nessas práticas, a lembrança do abuso – ou de qualquer outro trauma – vem à tona e é trabalhada. Claro que, dependendo de cada caso e de sua gravidade, é preciso estender o cuidado e ter ac